Para combater a sensação de alienação no público, mas principalmente a impassividade e a impotência diante dos fatos apresentados pela mídia é que nasceu, primeiramente nos Estados Unidos, o civic journalism, termo sem tradução ideal até o momento para o português e por isto mesmo chamado por diversos nomes (jornalismo cívico, jornalismo público, jornalismo cidadão, entre outros) e confundido com outros gêneros como o jornalismo regional e o jornalismo comunitário.
O civic journalism não pode ser entendido ainda como uma especialização jornalística como jornalismo político, econômico, policial ou esportivo, por exemplo. Está mais próximo de um movimento de jornalistas e veículos de comunicação que elegeram este novo modelo de jornalismo para trabalhar noções de cidadania e responsabilidade social com seus públicos, conceitos muito propagados atualmente e que ao mesmo tempo conservam o antigo princípio iluminista de informar para esclarecer.
Os iluministas acreditavam que esclarecido, o povo tomaria as melhores decisões para a sociedade. Daí Bordenave (1982) afirmar que a sociedade só pode mudar aquilo que conhece. E Melo (2003) insistir que o papel da imprensa é informar, contextualizar, explicar e ajudar a formar uma sociedade, opinião que difere da postura de alguns veículos de comunicação tradicionais que se baseiam no pressuposto de que a função essencial do jornalismo é a cobertura jornalística dos fatos. Informar seria a função pública da mídia. E só.
Para esclarecer estas duas visões distintas do papel do jornalismo e do jornalista que se esboça na sociedade atual - de observador neutro a ator político – é que trataremos neste espaço de apresentar as definições, as características e a história do civic journalism. Mas, especialmente, vamos enfatizar o que este novo modelo não é para os padrões brasileiros. Não é jornalismo público ou de serviço público, nem jornalismo cívico. Não é o jornalismo cidadão feito por amadores nem jornalismo comunitário ou participativo ou social. Cada uma dessas nomenclaturas remete a características singulares que não permitem a utilização equivocada destes conceitos, embora, em alguns casos, seja possível fazer algumas interfaces entre gêneros, como apresentaremos adiante.
domingo, 11 de outubro de 2009
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